Pastoral

Paulo, rico?

Paulo
Rodrigo Soeiro
Escrito por Rodrigo Soeiro

2 Timóteo 4:6-18

Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda. Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério. Enviei Tíquico a Éfeso. Quando você vier, traga a capa que deixei na casa de Carpo, em Trôade, e os meus livros, especialmente os pergaminhos. Alexandre, o ferreiro, causou-me muitos males. O Senhor lhe dará a retribuição pelo que fez. Previna-se contra ele, porque se opôs fortemente às nossas palavras. Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém.

Contextualização do Texto

Todos nós sabemos ou pelo menos temos uma noção do quanto o Apóstolo Paulo escolheu sofrer nessa vida, por conta de levar o Evangelho de Jesus Cristo com tanta seriedade e nobreza. Paulo foi a maior expressão do cristianismo de todos os tempos! Homem de oração e jejum, pregador incomum, teólogo incomparável e o maior plantador de igrejas de todos os tempos. Porém de tudo que ele passou e registrou em suas cartas, esse texto que nós acabamos de ler é nada mais nada menos que o seu último registro escrito em vida. Só pra a gente ter uma noção, nesse momento Paulo se encontrava na anti-sala do martírio romano. Ou seja, quando ele escreveu essa carta para o Timóteo, ele estava trancafiado numa prisão romana esperando a morte a qualquer momento.

Apenas por questão de conteúdo histórico, eu queria compartilhar com vocês algumas informações sobre as duas prisões que Paulo sofreu em Roma. A primeira prisão que Paulo sofreu em Roma foi por conta de acusações que alguns judeus fizeram dele, onde eles diziam que Paulo estava desrespeitando os ensinos de Moisés. Depois de um certo tempo que ele saiu da sua primeira prisão romana, logo depois, ele sofreu a segunda e última prisão romana da vida dele!

E o porque dessa prisão?

Por volta do 64 d.C, o imperador Nero, doido que era,incendiou uma grande parte de Roma por satisfação própria, principalmente os bairros mais pobres. Como ele não queria ser culpado por isso, ele acusou que os cristãos tinha feito essa atrocidade, até porque, a maioria dos cristãos de Roma moravam na periferias romanas. Como Paulo era um dos grandes líderes dos cristãos daquele momento, é óbvio que Nero decidiu prende-lo novamente. Quando ele foi preso e se encontrava nessa anti-sala do martírio, ele escreveu essa carta ao seu discípulo Timóteo!

Enredo

Lendo e relendo essas últimas palavras antes da sua morte por Nero, é possível a gente perceber um pouco do que Paulo pensava a respeito da vida cristã. Paulo entendia que o céu não era aqui. Paulo entendia que nessa vida ele não passaria por tapetes aveludados, nem caminharia em ruas de ouro, nem tampouco receberia galardões dos homens, mas na maioria das vezes ele cruzaria vales de lágrimas. Paulo entendia que o sofrimento que ele estava passando não era um sinal que ele estava longe de Deus, mas ele entendia que os sofrimentos do tempo presente não poderiam ser comparados com a glória que seria revelada na eternidade. Por conta disso que ele escreveu em um dos seus textos… A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação!

Paulo entendia que não há vida cristã sem luta. Não há vida cristã sem sofrimento, porém o crente não deveria sofrer por coisas erradas, mas sempre estar pronto a sofrer pelo Evangelho. Paulo entendia que quando sofremos por uma causa nobre, urgente e eterna, fazemos com alegria ainda que as lágrimas rolem pelo nosso rosto. Paulo já entendia no primeiro século o que um autor foi escrever anos depois… A vida cristã não é um parque de diversões mas um campo de lutas. Não é uma sala VIP mas uma arena de combates. Não é uma estufa espiritual mas um terreno de espinhos!

Só pra gente ter uma noção…

Paulo foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado e preso em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Beréia, chamado de tagarela em Atenas, de impostor em Corinto, duramente atacado em Éfeso, acusado em Cesaréia, vítima de naufrágio em direção a Roma, picado por uma serpente em Malta, e quando finalmente chegou em Roma foi preso e degolado. E pra piorar, Paulo vem dizer nessa carta quem foi o delator para ocasionar sua prisão. No caso aqui o dedo-duro foi dos seus melhores amigos, Alexandre! Ou seja, Paulo também entendia, que muitas vezes na vida cristã não são apenas os inimigos que nos machucam, mas também aqueles que a gente mais ama. Tanto é verdade, que Paulo chama o Alexandre de opositor a ele e ao Evangelho que ele pregava. Agora, mesmo sendo delatado por uma das pessoas que ele mais amava, mesmo estando preso naquelas prisões que eram frias e escuras onde os prisioneiros morriam de lepra e de infinitas doenças contagiosas, ainda sim, Paulo olhava pra vida com uma perspectiva eterna. Paulo compreendia que não era Nero que iria matá-lo, mas ele mesmo estava se oferecendo como uma oferta ao Senhor. Quando Paulo escreve para Timóteo… O tempo da minha partida é chegado… O verbo “partida” no grego é Analysis! A tradução desse verbo é: Ação de desatar um nó! Pra Paulo, a morte era o descanso do trabalho, era deixar a carga, era uma libertação e um alívio. Pra Paulo, morrer era invadir as portas da eternidade onde não haveria choro, pranto, luto e nem morte e enfim voltar para a Casa do Pai!

Paulo tinha consciência que tinha COMBATIDO O BOM COMBATE!

Sem facilidades e sem amenidades! Paulo lutou contra o mal. Lutou contra os principados e potestades. Lutou contra o pecado. Lutou pelo Evangelho. lutou para salvar vidas da perdição!

Paulo também tinha consciência que tinha COMPLETADO A CARREIRA!

Ele tinha entendido que não carregou um peso inútil nas costas e nem se distraiu com as coisas fúteis da vida, mas ele rompeu a linha de chegada. Correu de acordo com as regras. Manteve seus olhos no alvo e não fracassou na corrida!

Por último…

Paulo GUARDOU A FÉ!

Ele foi um soldado fiel até o fim!

Enquanto muitos eram como a mulher de Ló, que olhavam pra trás… Outros eram como os israelitas no deserto,  que sentiam saudades do Egito… Outros eram como o seu outro amigo Demas que tinha se perdido com os amores do século deles… Paulo se manteve firme do começo do seu chamado ao fim dele!

Conclusão

Paulo foi abandonado pelos homens, mas assistido por Deus! Paulo nos ensina que muitas vezes Deus não nos livra do vale mas caminha com a gente no vale! Paulo nos ensina que muitas vezes Deus não nos livra da fornalha mas nos livra na fornalha. Paulo nos ensina que muitas vezes Deus nos livra da morte, outras vezes Deus nos livra através da morte. Ou seja…

Paulo nos ensina que em toda e qualquer situação Deus é o nosso refúgio!

Paulo foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado… Mas em vez de fechar a cortina da vida com pessimismo, amargura, ressentimento, ele termina erguendo ao céu um tributo de louvor ao Senhor Jesus, onde suas últimas palavras foram de exaltação ao Senhor…. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém!

Observação: Sermão inspirado no Livro de “De pastor à pastor” de Hernandes Dias Lopes.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Soeiro

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Sobre o Autor

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro nasceu em 03 de fevereiro de 1.985 em São Paulo. É esposo da Tatiane e pai do Davi e do Lorenzo. Além de cantor, músico, compositor, arranjador, ele também é pastor da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, conhecida como ADAI.

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