Missões Pastoral

Usando a fé salvadora para fantasias capitalistas?! Hã?! (Sermão do dia 15/02)

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Rodrigo Soeiro
Escrito por Rodrigo Soeiro

Hebreus 10:32-39

Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados, quando suportaram muita luta e muito sofrimento. Algumas vezes vocês foram expostos a insultos e tribulações; em outras ocasiões fizeram-se solidários com os que assim foram tratados. Vocês se compadeceram dos que estavam na prisão e aceitaram alegremente o confisco dos próprios bens, pois sabiam que possuíam bens superiores e permanentes. Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve “Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele”. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos.

Hebreus 11:1

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Introdução

Na semana passada o texto que eu usei para o início desses nossos encontros sobre a Reforma foi o texto de Romanos 1:16-17 que diz assim: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.”

O sermão que eu vou compartilhar com vocês hoje é um texto que se encontra em Hebreus, mas que por coincidência ou não também cita o trecho de Romanos que estudamos na semana passada! Ou seja, por mais que os textos sejam diferentes, a linha de raciocínio vai permanecer a mesma. E na minha opinião a gente só tem a ganhar com isso pois a Bíblia vai se tornando pra gente não um amontoado de textos desconexos, mas um Livro cuidadosamente alinhado por Deus para revelar o propósito primeiro que Ele tem pra nós, que é revelar Jesus Cristo como Messias e através dEle garantir a salvação da nossa alma!

Contexto

Como um dia eu disse nesse púlpito, esse livro chamado “Aos Hebreus” teve uma importância muito grande para um determinado grupo de pessoas no primeiro século depois de Cristo!

Que hebreus seriam esses?

A resposta teológica mais coerente é que esses judeus eram recém convertidos ao Evangelho da graça de Deus mas que de uma forma ou outra ainda estavam muito confusos a respeito dos ensinamentos de Cristo Jesus. Estavam confusos pois eles foram “programados” para obedecer os mandamentos e os princípios de Moisés, mas que agora esses mesmos ensinos deveriam ser reinterpretados através da ótica do Evangelho de Jesus. Em resumo, essa carta escrita aos hebreus/judeus é uma espécie de manual para eles fazerem uma saudável ponte entre a Lei de Moisés a Lei de Cristo Jesus!

Enredo

O recorte bíblico escolhido para o sermão de hoje começa no versículo 32 do capítulo 10 que a gente encontra o seguinte texto… “Lembrem-se dos primeiros dias, depois que vocês foram iluminados, quando suportaram muita luta e muito sofrimento. Algumas vezes vocês foram expostos a insultos e tribulações!” Olha só… O primeiro elogio que esse autor fez nesse trecho bíblico aos hebreus cristãos é um elogio a respeito da coragem que eles tiveram de aceitar a luz do evangelho, e mesmo correndo todos os riscos de serem mortos pelos perseguidores do cristianismo, suportaram bravamente ao dia mal.

Uma outra coisa que esse autor escreveu foi… “Vocês fizeram-se solidários com os que assim foram tratados. Vocês se compadeceram dos que estavam na prisão!” Ou seja, o segundo elogio que esse autor fez a esses hebreus cristãos foi o fato deles não terem ficado cínicos a dor alheia mas terem ajudado os cristãos que estavam presos injustamente!

Agora, uma das coisas mais incríveis que esse autor escreveu foi o seguinte… “Vocês se compadeceram dos que estavam na prisão e aceitaram alegremente o confisco dos próprios bens!” Ouçam isso… Em outras palavras, o que esse autor está dizendo para aqueles hebreus cristãos é o seguinte… Parabéns pela atitude de vocês! Pois em troca da liberdade dos irmãos de fé que estavam presos…Vocês pagaram a fiança deles com os imóveis de vocês! Ou seja, vocês permitiram o confisco do patrimônio de vocês em troca da liberdade dos irmãos de fé! Olha que loucura, gente… Agora, a pergunta que não quer calar… Por que eles faziam isso e o que levava esses primeiros cristãos darem seus patrimônios em troca da liberdade de alguns cristãos presos? O próprio autor responde pra eles mesmos… “Vocês fazem essas coisas pois vocês sabem que possuem bens superiores e permanentes!”

Ou seja, esse autor compreendia que a fé daqueles homens não estava nas coisas dessa vida… Nos bens dessa vida… Nas perdas dessa vida… Nos ganhos dessa vida… Nas propriedades dessa vida… MAS nos bens da vida eterna… Nos ganhos da vida eterna e nas propriedades da vida eterna conquistados por meio de Jesus Cristo! Por conta disso esse autor escreveu um incentivo aos hebreus mediante a tantas coisas boas que a fé em Jesus estava produzindo neles… “Não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve “Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele”. Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que crêem e são salvos.”

E quando a gente pensa que texto acabou, o escritor continua no capítulo 11… “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.” Ou seja, para esse escritor a fé que Deus espera que tenhamos é uma fé que nos faz esperar a volta de Cristo e que nos dá a certeza de que um dia o veremos como Ele é!

Aplicação

Infelizmente o discurso religioso sobre fé nos dias de hoje está tão nivelado por baixo que as pessoas usam esse versículo para conseguirem carro, casa, bens materiais nessa vida… Sendo que esse versículo não tem nada a ver com a proposta desse texto. Até porque, se a fé desses hebreus estivesse canalizada para as coisas dessa vida, eles seriam os mais frustrados cristãos do primeiro século pois só estavam tomando pancada da vida todos os dias. Sofriam que nem animais nas mãos dos romanos… Estavam perdendo suas propriedades para pagarem a fiança dos crentes que eram presos… Que fé “ineficiente” era essa? Agora, era ineficiente usando o nosso óculos capitalista, mas extremamente eficiente usando óculos da fé salvadora de Jesus Cristo! Pra eles o que mais importava não era a capacidade de usarem a fé em Jesus para conquistar coisas terrenas, mas usarem a fé para a certeza daquilo que eles mais esperavam e queriam ver, a volta gloriosa de Jesus Cristo e uma certeza de moradia eterna no céu!

Enquanto nós vemos uma série de líderes ensinando técnicas de como usar a fé para benefícios aqui em baixo, Hebreus 10 e 11 vem nos ensinar que os grandes homens da Bíblia estavam focados em outros benefícios. Prova disso, quero ler com vocês a continuação do capítulo 11…

Hebreus 11:1-16

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho. Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível. Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala. Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; “ele já não foi encontrado porque Deus o havia arrebatado”, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam. Pela fé Noé, quando avisado a respeito de coisas que ainda não se viam, movido por santo temor, construiu uma arca para salvar sua família. Por meio da fé ele condenou o mundo e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé. Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo. Pela fé peregrinou na terra prometida como se estivesse em terra estranha; viveu em tendas, bem como Isaque e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa. Pois ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto e edificador é Deus. Pela fé, Abraão — e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade — recebeu poder para gerar um filho, porque considerou fiel aquele que lhe havia feito a promessa. Assim, daquele homem já sem vitalidade originaram-se descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e tão incontáveis como a areia da praia do mar. Todos estes ainda viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-nas de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Os que assim falam mostram que estão buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois preparou-lhes uma cidade.

Conclusão

“Fé não é um sonho humano, e quando veem que não acontece o que tanto pedem, caem no erro de dizer… Preciso de mais fé! Fé, entretanto é uma obra divina em nós que nos modifica e nos faz renascer de Deus. Mata o velho Adão. Transforma-nos em pessoas bem diferentes de coração, sentimento, mentalidade e traz consigo o Espírito Santo. Há algo muito vivo, atuante, afetivo e poderoso na fé, a ponto de não ser possível que ela não pratique o bem. Ela também não pergunta se há obras a fazer, e sim, antes que surja a pergunta, ela já as realizou e sempre está a realizar. Fé uma confiança viva e inabalável na graça de Deus, por conta disso ela se dispõe voluntariamente a fazer o bem a todo mundo, a servir todo mundo, a sofrer tudo por amor e em louvor a Deus que lhe demonstrou tamanha graça, de sorte que é tão impossível separar as obras da fé como é impossível separar a luz do fogo!” Martinho Lutero

Que de uma vez por todas possamos compreender que a fé que agrada a Deus não é uma fé detentora de carícias para arrebatar o coração de dEle e por conta disso ela pode resolver todos os nossos problemas e dilemas… Não! Que de uma vez por todas possamos entender que a fé salvadora não tem compromisso em realizar as nossas fantasias capitalistas! A verdadeira fé que faz um justo viver é a fé em Jesus Cristo que nos garante a vida eterna!

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Sobre o Autor

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro nasceu em 03 de fevereiro de 1.985 em São Paulo. É esposo da Tatiane e pai do Davi e do Lorenzo. Além de cantor, músico, compositor, arranjador, ele também é pastor da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, conhecida como ADAI.

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