Pastoral

Reforma Protestante: Uma Visão A Partir de Ezequiel 37

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Aline Medina
Escrito por Aline Medina

Em 31 de outubro de 1517, um monge agostiniano, Martinho Lutero afixou na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, 95 teses que criticavam a conduta da Igreja Católica. Os textos denunciavam a deturpação do evangelho, a venda de indulgências, a corrupção e o enriquecimento ilícito da Igreja. Além das denúncias, chamava os cristãos ao arrependimento e à fé. Lutero pregava que somente a fé em Deus salvava as pessoas. Uma ideia que se opunha à salvação pela compra de indulgências. A Reforma também veio defender a livre interpretação da Bíblia, pois, somente os sacerdotes da Igreja tinham o conhecimento do que estava escrito nas escrituras, pois esta era lida nas missas em latim. Lutero então traduz a Bíblia para o alemão, para que todos entendam realmente a mensagem que Deus nos deixou, afinal, somente a verdade das Escrituras libertaria aquele povo!

Mas o que este contexto da Reforma tem a ver com o texto de Ezequiel 37? Vamos entender um pouco o período histórico de Ezequiel.

Ezequiel estava entre os judeus que foram exilados de Jerusalém para a Babilônia por Nabucodonosor. E durante o exílio, recebeu o chamado para ser profeta. Sua missão inicial era anunciar que o exílio não era a pior coisa que aconteceria ao povo, mas coisas piores estavam por vir, como a queda de Jerusalém e a destruição do Templo. Ele tinha recebido uma missão muito dura de profetizar mais destruição a um povo que já estava sofrendo tanto. Foi escolhido para advertir o povo de que esta é a consequência inevitável dos pecados da nação. Israel estava perdida no que diz respeito a sua relação com Deus

A VISÃO DO VALE DE OSSOS SECOS

Os ossos secos representam os israelitas no exílio. Já estavam ali há 10 anos, sem esperança, que, como os ossos, estava seca. E isso, se deu ao fato do rompimento da aliança do povo com Deus, através de práticas que eram totalmente contrárias aos ensinamentos que seus antepassados receberam no Sinai. Israel passou a ser idólatra, fazendo alianças com potências estrangeiras. Aquela devoção e adoração exclusiva que Deus esperava de seu povo, já não existia mais. Israel estava distante de Deus.

Ao olhar todos aqueles ossos, secos, sem vida, vem a pergunta de Deus ao profeta: será que esses ossos poderão viver novamente? Ezequiel sabia que se o propósito de Deus era restaurar Israel, Ele o faria, não importa o quão grandioso fosse o milagre necessário. Bastaria apenas um sopro de renovo do Espírito para trazer vida novamente! Aquele monte de ossos se tornaria um exército eficaz de homens restaurados de novo e cheios do Espírito! Uma nova nação seria despertada!

A VISÃO DE LUTERO

A realidade que Lutero enxergou na Igreja, foi tão forte quanto a visão do vale de ossos secos de Ezequiel. Lutero enxergou um povo que tinha recebido instruções do próprio Cristo para se organizarem como Igreja, pregar o evangelho da Graça a todos os povos, mas, ao invés disso, tinham abandonado essas instruções e estavam fazendo as coisas como bem entendiam, não para benefício do outro, mas para benefício próprio.

A Graça tinha sido trocada por méritos ou indulgências, a salvação que era para todos, agora era privilégio dos ricos, a instituição que tinha como dever ajudar os necessitados, só acumulava mais riquezas para si. Ou seja, Lutero viu uma Igreja que não tinha mais uma relação genuína com Deus e com as pessoas. Era uma instituição grande, forte, com bens, mas estava seca, morta e tão distante dos propósitos do Pai. Lutero entendeu que assim como o vale de ossos, e a nação de Israel, a Igreja precisava ser restaurada, reformada, para voltar a ter vida!

Assim como Deus levantou Ezequiel para mostrar ao povo que estavam mortos, longe Dele e de seus ensinamentos, sem esperança, Deus levantou também Lutero, para mostrar como a Igreja estava distante Dele… estava morta, sem vida! Através da vida desses homens, Deus mostra seu interesse em restaurar a comunhão com seu povo. Tanto Ezequiel quanto Lutero, viam a sequidão, mas tinham a certeza de que Deus, através do Espírito Santo poderia trazer vida a quem estava morto!

Como aplicar essas histórias a nossa realidade como igreja hoje? O que esses relatos podem nos ensinar?

Ninguém fica como ossos secos da noite para o dia, é um processo que tem um período de duração e acontece de maneira gradativa. Israel começou com a mistura de outros deuses na adoração, fez uma aliança aqui, outra ali, até que…. “de repente”, já estavam cativos na Babilônia, sem esperança, longe de Deus e sem vida. A Igreja não se distanciou de sua missão inicial de repente, foram necessários séculos de práticas erradas até chegar o ponto de necessitar de uma reforma.

O que eu quero dizer com isso é que: a morte espiritual não é algo que acontece de imediato, mas vamos morrendo aos poucos todos os dias sem perceber. O que não fazíamos, começamos a fazer, aquilo que era impraticável, agora podemos considerar, nossa devoção e obediência que antes eram inegociáveis agora são repensadas, até que, nossa relação com Deus seca, morre. Será que conseguimos identificar qual caminho estamos trilhando: o caminho da vida, ou o caminho da sequidão?

Que possamos nos voltar para Deus enquanto há vida! E se por acaso, os ossos já estiverem secos, que possamos sempre crer na certeza de que: basta um sopro do Espírito para que aquilo que estava morto, ganhe um novo fôlego de vida, sendo restaurado para a comunhão com o Pai!

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Sobre o Autor

Aline Medina

Aline Medina

Aline Medina nasceu na cidade de São Bernardo do Campo em São Paulo. Casada com Raphael Medina, mãe do Gabriel e da Isabella.
Formada em Administração de Empresas pela FEI, e na área ministerial foi ministra de louvor e líder de ministério de mulheres. Hoje é pastora na igreja Assembléia de Deus Alto do Ipiranga, a ADAI.

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