Pastoral

LESMAS E CARAMUJOS

crianças
Tati Soeiro
Escrito por Tati Soeiro

“Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, para os lados do leste; e ali colocou o homem que formara.”
Gênesis 2. 7-8

Uma rima infantil americana do início do século 19 descreve assim a diferença entre meninos e meninas:

Do que são feitos os meninos?
“São feitos de lesmas e caramujos e pedaços de rabo de cachorro sujo!”
Do que são feitas as meninas?
“São feitas de açúcar, tempero e cheiro de rosas e outras coisinhas mimosas!”

O poema foi escrito em uma época que atribuía doçura e maneiras gentis às meninas e brincadeiras e comportamentos agressivos aos meninos, uma época em que a diferença de papéis eram bem distintas.

Insatisfeito com esses esteriótipos, o movimento feminista buscou redefinir a condição da mulher no lar e na sociedade. Promoveu a ideia de que as mulheres não precisavam dos homens, não queriam ser sufocadas pelas definições tradicionais do universo feminino – especialmente pelos papéis de “esposa” e “mãe”.

Em contraste com a época do poema infantil, os papéis são vistos hoje como intercambiavéis, ou seja, os papéis podem ser trocados sem o que o resultado seja prejudicado. Não interessa mais quem usa as calças; a mãe pode ser um pai tão bom quanto o homem; o pai pode ser uma mãe tão boa quanto a mulher; A sociedade espera que aceitemos todas as definições de gênero, relacionamento sexual, casamento, maternidade, paternidade e família como igualmente válidas.

Bethenny Frankel, celebridade de um reality show da televisão americana, mãe de primeira viagem, declarou em uma revista: “Jason meu marido, é um pai incrível. Ele é um pai dedicado. Troca as fraldas do bebê 95% do tempo. Não existe mulher/homen em nosso casamento, a não ser pelo fato de o bebê ter saído de mim.”

Embora a receita de lesmas, caramujos e rabo de cachorro sujo para os meninos e açúcar e tempero para as meninas possa ser desdenhada como coisa infantil, as perguntas feitas pelo poema são válidas. Do que mesmo os meninos são feitos? Do que as meninas são feitas? Existe alguma diferença? Se houver, quais são as implicações em nossa vida?

Para entendermos o que Deus tinha em mente para as meninas, é importante entendermos primeiro o que ele tinha em mente para os meninos. Os meninos não foram feitos de lesmas, caramujos e rabo de cachorro sujo, como veremos, eles foram criados com um propósito e um design específico.

Certamente todas nós estamos familiarizada com o uso do replay, principalmente em eventos esportivos na televisão. Alguém faz uma jogada espetacular, marca um gol, sofre pênalti – a direção do programa volta o vídeo na hora, dá um close, e mostra a jogada novamente. Ver a jogada novamente e até mesmo de um ângulo diferente, nos leva a entendermos melhor o que realmente aconteceu. Observamos coisas que passaram desapercebidas da primeira vez, nos ajuda a analisarmos todos os detalhes.

Podemos observar isso no livro de Gênesis, o capítulo 1 que estudamos na devocional passada, nos ofereceu um panorama da criação do mundo, mais específico que estudamos foi sobre a criação do homem e da mulher. Já no capítulo 2 é como se o escritor voltasse o vídeo, desse um close e mostrasse novamente a criação de um ângulo diferente e em câmera lenta, para que nós apreciássemos cada detalhe do acontecimento. No primeiro capítulo, aprendemos que a história do ser humano, homem e mulher, tem o propósito de exibir a glória de nosso Criador. Deus criou o mundo com o poder de sua palavra. Porém na visão detalhada de Gênesis 2, sua atitude é intima e pessoal ao criar os dois sexos.

A palavra hebraica para “formou” é a mesma usada para descrever o oleiro criando e modelando a argila, ou seja, uma tarefa com grande cuidado e precisão. Você já observou um oleiro trabalhando? É difícil imaginar o que Deus sentiu ao juntar o pó da terra, simples e inanimado, e de maneira tão habilidosa transformá-lo em um homem com um sistema tão complexo que deixa os cientistas mais brilhantes desse mundo fascinados. E ainda – maravilha das maravilhas – soprar seu fôlego, de modo que o homem se tornasse alma viva, um reflexo de sua própria imagem! Deus criou o homem do pó da terra. Depois ele o colocou em um jardim no território do Éden. A palavra hebraica para “jardim” sugere uma área cercada, um espaço protegido por paredão. Esse espaço foi designado para ser o lar do homem, onde receberia sua esposa e daria início à sua família.
Observamos em Gênesis 2. 24, quando um homem se casa, ele deixa a sua família de origem para iniciar uma nova família.

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”
Gênesis 2.24

Assim quando Deus coloca Adão no jardim, parece que ele já pensava no projeto da família. Deus estabeleceu o homem em seu próprio lugar para que fosse o chefe de sua própria casa. A responsabilidade do homem em “deixar”, “unir-se” e começar uma nova família mostra que tomar iniciativa é parte central do que significa ser homem. Deus não quer que meninos permaneçam meninos. Seu desejo é que eles se tornem homens que Deus os criou para ser.

Cynthia Good, fundadora e editora da revista Pink, em Atlanta, estado americano da Georgia: “Cada vez que ela passava por uma placa de aviso escrita “homens trabalhando” ficava muito irritada, achava que a placa era uma forma de discriminação. Afinal não são apenas os homens que trabalham – as mulheres também trabalham!”

A editora promoveu uma campanha no país inteiro, e conseguiu com que as placas fossem extintas. Assim como Cynthia que fazem objeção à placas que dizem “homens trabalhando”. Muitas pessoas também fazem objeção a Bíblia, porque Deus colocou sobre os homens uma responsabilidade em relação ao trabalho que é parte exclusiva do que significa ser homem. Não  estou dizendo que as mulheres não trabalham ou não podem trabalhar, ou nunca deveriam trabalhar fora de casa. O que estou dizendo é que homem e mulher são diferentes um do outro. O homem está conectado para “trabalhar” de um jeito diferente da mulher, e a mulher está conectada ao lar e aos relacionamentos de um jeito diferente do homem. Isso não significa que a mulher seja incapaz de trabalhar, ou que o homem seja incapaz de criar um lar e manter relacionamentos. Significa que Deus criou homens e mulheres com campos de responsabilidades diferentes. O homem foi criado com a responsabilidade especial de trabalhar e sustentar sua família, e a mulher foi criada com a responsabilidade especial de aninhar e nutrir os relacionamentos familiares.

“E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.”
Gênesis 2.5

“E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.”
Gênesis 2:15

O termo “trabalho” em hebraico usado no Antigo Testamento, significa servir a outra pessoa, também descreve a responsabilidade dos sacerdotes no culto. O “trabalho” que Deus atribuiu ao homem não tinha o objetivo de levá-lo a ganhar dinheiro para usar de modo egoísta. Não tinha nada a ver com a conquista de poder. Deus queria que o homem trabalhasse para o bem da sua família. Mas não é tão simples assim. Além de trabalhar, Deus espera que o homem “cultivasse” o jardim do Éden. A palavra Cultivar, no hebraico significa “tomar conta”, guardar preservar e cuidar. Envolve acompanhar e proteger as pessoas e a propriedades seus cuidados, não se aplicando apenas para o mundo físico, inclui também um comportamento espiritual de proteção. Deus criou o homem para ser protetor, ele vai proteger os que estão sob seu cuidado. Ser protetor está na essência do que significa ser homem. Antes de criar uma esposa para o homem, Deus ensina algumas responsabilidades relacionados à masculinidade como já vimos. Entendemos que Deus criou Adão, deu-lhe um lar “Jardim do Éden” e deu-lhe a responsabilidade de prover e proteger.

“Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;”
Efésios 5. 28-29

Podemos observar em Efésios que o Senhor espera que os maridos alimentem e cuidem de suas esposas como Cristo faz com a igreja. A instrução do Novo Testamento para o marido “alimentar e cuidar” de sua esposa corresponde intimamente à responsabilidade original que Deus deu ao homem no jardim. Alimentar, está relacionado à responsabilidade do marido como provedor. Cuidar, está relacionado à responsabilidade de proteger. Gênesis 2 revela o plano que Deus havia feito antes de o pecado entrar no mundo e estragar tudo. O ideal de Deus para os homens e para as mulheres jamais será totalmente alcançado em um mundo caído. Contudo, por meio da obra de Cristo na cruz, homens e mulheres podem ser redimidos e encontrar graça para viver o plano que Deus traçou.

Por que Deus entregou ao homem a exaustiva tarefa de dar nome aos animais? O trabalho seria mais rápido com a ajuda da mulher. Qual era o propósito de Deus em tudo isso? Parece que dar nome aos animais foi um treinamento na vida de Adão. Dar nome a uma coisa é exercer autoridade sobre ela. O desejo de Deus era que o homem aprendesse a exercer autoridade de maneira virtuosa. Queria que ele aprendesse a cuidar de outra pessoa, aprendesse a servir e exercitar autoridade com gentileza, bondade, sabedoria e muito cuidado.

Frase de Agostinho: relacionando Adão e Eva com Cristo e sua noiva: “Cristo consumiu o que Adão havia simbolizado: pois enquanto Adão dormia, Deus lhe tirou uma costela, e Eva foi criada. Da mesma forma, enquanto o Senhor Jesus dormia na Cruz, seu lado foi transpassado por uma lança…e assim a igreja nasceu. Pois Igreja, a Noiva de Cristo, foi criada do seu lado, assim como Eva foi criada de um lado de Adão.”

Saber que Deus criou o homem e a mulher para exibirem a história de Cristo e a igreja nos leva a entender nosso design divino. O que somos como homem e mulher tem pouco a ver conosco, e tudo a ver com Deus. Afinal, homem e mulher existem para tornar Deus mais conhecido. Deus poderia ter criado o homem e a mulher ao mesmo tempo da mesma maneira. Poderia ter nos dado papéis idênticos. Mas Ele não fez isso. Um irmão mais velho tem a responsabilidade especial de ser um bom exemplo e exercer influência positiva em sua família. Na Bíblia, a posição de filho primogênito tem um significado ainda maior. Nas famílias judaicas o papel do primogênito tem um papel muito importante. O primogênito era o segundo em comando depois de sue pai e carregava o peso da autoridade paterna. Era responsável pela vigilância e bem-estar da família. Por causa dessa liderança e responsabilidade, ele recebia uma porção extra da herança paterna. Como seriam os relacionamentos entre homens e mulheres se eles imitassem Cristo ao cumprirem sua responsabilidade de primogênitos na maneira de tratar as mulheres?

Posições de autoridade são consideradas as melhores e mais invejadas. Todos querem ser “rei”. O rei é mais importante, o rei é o melhor. Essa visão distorcida de autoridade mostra por que tantas pessoas se irritam ao ouvir que Deus colocou os homens em posição de autoridade no casamento e na igreja. No entanto Jesus, repreendeu os discípulos por entenderem autoridade como direito de dominar ou tirar proveito pessoal. Quando Tiago e João pediram um lugar de destaque no reino de Deus, Jesus lhe respondeu que a verdadeira grandeza é resultante do serviço ao próximo, e não da busca egoísta de uma posição de autoridade. Ninguém tem direito de reivindicar qualquer posição de autoridade. O Pai é quem confere essa posição privilegiada. Até mesmo a autoridade de Jesus lhe foi dada por Deus, o Pai.

A Bíblia ensina que toda e qualquer autoridade pertence a Deus. A autoridade não pode ser usada em benefício próprio, a quem for entregue essa função de autoridade deverá prestar contas sobre o que fizer. Jesus ensinou que autoridade não tem nada a ver com direitos, e sim com deveres. Não tem a ver com receber, e sim com doar. Não se concentra em mim, mas nos outros. Não confere o direito de ser servido, mas responsabilidade em servir. Jesus queria que seus discípulos entendessem que seria ao contrário, a verdadeira grandeza ter a ver com a nossa disposição de servir humildemente a Deus e ao próximo.

O quanto seu esposo tem servido a você esposa?

Infelizmente, na tentativa de promover igualdade entre homens e mulheres, nossa cultura depreciou o significado quem Deus nos criou para ser. Assim, existe hoje uma geração inteira com pouca percepção da beleza, do valor e do significado de sua masculinidade e feminilidade.

Afirmação do Pastor John Piper: “Hoje, a confusão sobre o significado sexual do ser humano é epidêmica. O resultado não é uma harmonia fluente e feliz entre as pessoas livre de gênero sexual que se relacionam na base de competências abstratas. Ao contrário, há mais divórcios, mais homossexualismo, mais abuso sexual, mais promiscuidade, mais diferenças sociais, e mais angústia emocional e suicídio resultante da perda da identidade conferida por Deus.”

Concluímos que Deus criou o homem com a responsabilidade única de liderar, prover e proteger. Isso não significa que o homem é o “rei do castelo”, ou que tem uma posição mais elevada que a da mulher. Significa que liderar, prover, proteger e mostrar iniciativa são aspectos centrais e indispensáveis do plano de Deus para o homem. O homem se relaciona com esposa, irmã, filha, colega ou amiga de maneiras diferentes, porém todos esses relacionamentos são instruídos e influenciados por quem ele é como homem. Masculinidade significa aceitar a responsabilidade cavalheiresca de oferecer liderança, provisão e proteção adequadas às mulheres de sua vida.

Bibliografia:

Mulher sua verdadeira feminilidade – Design Divino

Mary A. Kassian

Nancy Leigh DeMoss

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Sobre o Autor

Tati Soeiro

Tati Soeiro

Nasceu em 27 de setembro de 1981, na cidade de São Bernardo do Campo em São Paulo. Casada com Pastor Rodrigo Soeiro, mãe do Davi e do Lorenzo.
Formada em Odontologia pela Universidade Metodista, atualmente cursando Teologia na mesma.
Hoje atua na Adai como ministra de louvor e líder das mulheres.

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