Pastoral

A Fé Que Nos Move Em Direção Ao Outro (Sermão do dia 04/02/18)

Diana
Rodrigo Soeiro
Escrito por Rodrigo Soeiro

Ester 4:16

“Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.

Contextualização

O significado da Palavra Bíblia é Livros, ou seja, é um Livro com muitos livros dentro dela. A maioria de nós sabe que a Bíblia que está em nossas mãos hoje não se encontra de forma cronológica, mas está organizada em blocos com os seus respectivos estilos literários! Exemplo:

Antigo Testamento

1. Pentateuco

2. Históricos

3. Poéticos

4. Proféticos

Novo Testamento

1. Evangelhos

2. Cartas e Epístolas

3. Profético (Apocalipse)

Enredo

Enfim, o livro que lemos foi o de Ester, e esse livro se encontra no segundo bloco da Bíblia que é os Históricos e basicamente se desenrola assim:

Existia um Império chamado Persa, e dentro desse império povos de muitos países se organizavam em pequenas regiões, e uma grande parte do povo judeu também morava nessa grande Pérsia. A pergunta que não quer calar: Por que alguns judeus moravam na Pérsia e não em Jerusalém? A resposta é simples: a infraestrutura de Jerusalém ainda estava um caos por conta da destruição que a Babilônia tinha feito nos últimos anos. O raciocínio é simples… eu, como um judeu pai de família tenho duas opções:

1. Morar em Jerusalém com minha família sem infraestutura alguma e poder praticar minha fé no Deus dos judeus;

2. Morar na Pérsia com minha família com uma infraestutura interessante, e ainda sim, poder também praticar minha fé no Deus dos judeus.

Obs: Os persas permitiam que os judeus adorassem o Deus deles (nosso Deus). Havia uma liberdade religiosa.

Por conta disso, muitos judeus escolhiam morar na Pérsia e não em Jerusalém!

Enfim, um desses judeus que estava morando na Pérsia tinha por nome Mardoqueu/Mordecai. Ele era um simples judeu que não tinha filhos (pelo menos não encontrei nenhuma citação), mas que tinha adotado uma menina de nome Hadassa, que também era conhecida como Ester. Por uma série de situações que aconteceram no Império, essa simples menina judia cresceu, se tornou uma linda mulher e a Rainha do Império Persa, ou seja, ela tinha se casado com a pessoa mais poderosa do Império – O Rei da Pérsia, que se chamava Assuero e também era conhecido como Rei Xerxes!

Alguns anos se passaram, o Xerxes ficava sempre rodeado de conselheiros nada confiáveis, e um desses conselheiros odiava o povo judeu. E esse tal conselheiro conseguiu fazer um Lob Político tão satânico, que fez com o que o Rei Xerxes emitisse um decreto para matar todos os judeus espalhados no Império Persa. Quando a Rainha Ester ficou sabendo dessa lambança e no que esse decreto poderia prejudicar o povo dela, ela mandou uma mensagem para o seu pai de criação, o tal do Mardoqueu/Mordecai, e a mensagem foi a seguinte…

Ester 4:16

“Mardoqueu, reúna todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”.

Resumindo… Ester entrou na presença do Rei, pediu pra ele voltar atrás no decreto que ele mesmo tinha feito, e pra alegria de Ester, de Mardoqueu e de todo povo judeu que morava no Império Persa, o Rei Xerxes anulou a lei que ele mesmo tinha feito e livrou os judeus de serem exterminados!

De tudo isso que falei e tentei explicar, a frase de Ester que saltou no meu coração enquanto eu estava escrevendo esse sermão foi: Se eu tiver que morrer, morrerei!

Que convicção incrível era essa que Ester tinha? Além de toda pressão que estava na sua cabeça por conta de ser judia também, que fé foi essa que ela teve, que a fez se mover em direção ao Rei e fazer um pedido tão arriscado?

Só um detalhe… Naquele momento que ela foi falar com o Rei, ele tinha escolhido ficar um tempo sozinho, ou seja, ela estava realmente correndo o risco de morrer!

Aplicação

Enquanto estava escrevendo esse texto, uma frase veio no meu coração: Qual é o interesse de Deus em nos colocar num local de destaque, se não for para favorecermos os mais frágeis?

Há vinte e um anos, duas princesas entraram na eternidade dentro da mesma semana. Duas mulheres incríveis caíram como semente na terra em poucos dias um do outro e ambas eram princesas e defensoras da humanidade assim como Ester. Uma era uma princesa literal – linda, cativante, agraciada com muito dinheiro e influência, e a outra também era uma princesa, porém de um reino diferente! Igualmente bonitas e cativantes, mas agraciadas com uma influência e riquezas diferentes!

Quem foram elas?

Princesa Diana e da Madre Teresa! Eu acho interessante que no mesmo ano essas duas notáveis mulheres foram conduzidas até a eternidade. Como todos nós sabemos, Diana não era perfeita, assim como não somos, mas sua fé, compaixão e amor pelos outros era inegável! Madre Teresa então, nem se fala… era uma pequena gigante com uma devoção que consumia a todos que que com ela andavam!

Ou seja… Duas mulheres com realidades extremamente diferentes, com crenças diferentes, como poderes diferentes, com riquezas diferentes, mas que deixaram exemplo, influência e um legado inesquecível pra todos nós!

Qual é o interesse de Deus em nos colocar num local de destaque, se não for para favorecermos os mais frágeis?

Que fé é essa que nos move em direção a igreja num culto de domingo para vermos a Deus mas não nos leva em direção dos mais frágeis?

Conclusão

Termino esse sermão chamando a atenção de vocês para algo interessante. Em nenhum momento do livro de Ester a gente encontra a Palavra Deus. Muitos significados as pessoas fazem a respeito dessa ausência, mas confesso que o meu significado preferido e mais aceito nas academias teológicas é o seguinte…

A melhor forma de revelarmos Deus para uma geração, não é na capacidade que temos de falar que somos crentes e que somos melhores que as pessoas de outras religiões, mas na capacidade que devemos ter de amar o outro, seja o outro quem for.

Que possamos sentir mais compaixão e optarmos por nos simpatizar com os desafios e lutas da humanidade. Que possamos entrar nos espaços mais vulneráveis do nosso mundo e levar encarnado em algum tipo de prática o amor que foi nos dado na cruz do calvário!

Que assim como a Rainha Ester foi instrumento de libertação para os judeus… Assim como a Princesa Diana foi instrumento de consolo para os pais de crianças soro-positivas numa boa parte do mundo, e assim como a Madre Teresa foi instrumento de boas novas para as famílias de Calcutá… Assim, eu, você possamos através dos olhos da fé nos mover em direção aos outros que estão mais frágeis que a gente!

Não menospreze o seu chamado, tão pouco o local onde Deus tem te colocado. Que em algum momento a gente venha encontrar algo que valha a pena morrer e termos a coragem de dizer: Se eu tiver que morrer, morrerei!

Que possamos um dia encontrar o sentido da nossa vida e dizer como dois homens um dia encontraram. O primeiro, Martin Luther King Junior, onde ele disse: Se você ainda não achou uma causa pela qual valha a pena morrer, você ainda não achou razão de viver.” O segundo foi Apóstolo Paulo: Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.

No amor de Cristo Jesus!

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Sobre o Autor

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro nasceu em 03 de fevereiro de 1.985 em São Paulo. É esposo da Tatiane e pai do Davi e do Lorenzo. Além de cantor, músico, compositor, arranjador, ele também é pastor da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, conhecida como ADAI.

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