Pastoral

É pecado lamentar?

lamento
Rodrigo Soeiro
Escrito por Rodrigo Soeiro

Lamentações 3:19-24

“Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.”

Introdução

Há dois tipos de pessoas: aquelas que tomam algumas pancadas da vida e ficam prostradas e desestimuladas em todo tempo, e aquelas que tomam as mesmas pancadas da vida porém tem uma habilidade de se reconstruírem com mais facilidade!

Contextualização

Há dois acontecimentos fundamentais na história do povo de Israel, mas que ao mesmo são acontecimentos muito distintos!

1. Êxodo do Egito

Momento esse onde Deus libertou o povo dele da escravidão Egípcia!

Ou seja…

O Êxodo é uma história de liberdade acompanhada de cânticos e danças. Uma história de alegria que Deus proporcionou ao seu povo!

2. Exílio Babilônico

Onde o povo que até então vivia livre, mas que agora estava sendo levado preso para um país chamado Babilônia!

Ou seja…

Se o Êxodo do Egito foi uma experiência alegre, o Exílio Babilônico foi uma das experiência mais triste que Deus permitiu o seu povo passar!

O livro de Lamentações então não foi um escrito gerado no momento alegre do Êxodo, mas no momento de maior tristeza da história de Israel: o Exílio Babilônico!

Enredo

Muitos falam que o autor dessas lamentações foi Jeremias, porém a gente não poder afirmar isso pois em nenhum momento do texto, Jeremias fala de si mesmo. O mais importante…

é que o autor está tão acabado por dentro, tão melancólico… que começa a escrever um série de frases que expõe tudo o que ele e o povo dele estão sentindo naquele momento. E eu separei alguns versículos só pra gente ter ideia do estado do coração desse escritor!

Lamentações 1:16

“É por isso que eu choro; as lágrimas inundam os meus olhos. Ninguém está por perto para consolar-me, não há ninguém que restaure o meu espírito. Meus filhos estão desamparados porque o inimigo prevaleceu.”

Lamentações 2:11-13

“Meus olhos estão cansados de chorar, minha alma está atormentada, meu coração se derrama, porque o meu povo está destruído, porque crianças e bebês desmaiam pelas ruas da cidade.

“Eles clamam às suas mães: Onde estão o pão e o vinho? ” Ao mesmo tempo em que desmaiam pelas ruas da cidade, como os feridos, e suas vidas se desvanecem nos braços de suas mães.

Que posso dizer a seu favor? Com que posso compará-la, ó cidade de Jerusalém? Com que posso assemelhá-la, a fim de trazer-lhe consolo, ó virgem, ó cidade de Sião? Sua ferida é tão profunda quanto o oceano; quem pode curá-la?”

Lamentações 2:20

“Olha, Senhor, e considera: A quem o Senhor tratou dessa maneira? Deverão as mulheres comer os próprios filhos, as crianças de quem elas cuidaram? Deverão os profetas e os sacerdotes ser assassinados no santuário do Senhor?”

Ou seja, quando nós lemos textos como esses, até parece que o autor está passando por um processo depressivo profundo ou coisa do gênero. Porém o que me chama atenção, é que por mais que o estado emocional, psicológico e espiritual do autor pareça estar vivendo um eterno fundo de poço, ele é muito esclarecido a respeito do Deus que ele serve. É verdade que do capítulo 1 ao meio do capítulo 3 ele realmente parece estar numa revolta sem tamanha com Deus, mas a partir do versículo 19 do capítulo 3 a gente percebe que esse escritor é uma pessoa convicta a respeito do Deus que ama o seu povo!

Lamentações 3:19-24

“Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança.”

Aplicação

Muitas coisas nós podemos aprender com esse texto e a primeira lição é que lamentar faz parte da vida. A gente querendo ou não querendo, o sofrimento fará parte da nossa caminhada. A gente pode de todas as formas tentar desviar ou manipular os sofrimentos que a vida nos proporciona, porém a gente sabe que é impossível! A própria Palavra de Deus relata que nessa vida há tempo pra todas as coisas… Tempo de nascer e tempo de morrer… Tempo de derrubar e tempo de construir… Tempo de rir e tempo de chorar… Tempo de dançar e tempo de prantear!

Ou seja, lamentar faz parte da vida. Porém a segunda grande contribuição desse texto é que permanecer no lamento não deve fazer parte da vida de ninguém!

O que o escritor quer nos ensinar, é que por mais cruel que estivesse sendo Babilônia, por mais terrível que estivesse sendo o escravagismo babilônico, ele conseguia ter a maturidade de pensar naquilo que gerava esperança dentro dele. E pergunta que não quer calar… O que dava tanta esperança para o escritor desse texto?

Era saber que o Deus dele não mudou, e que assim como um dia o o seu Deus libertou o povo dele do Egito, assim esse mesmo Deus também libertaria o povo dele da Babilônia! Que assim como um dia o seu Deus libertou o povo dele das mãos de Faraó, assim o mesmo Deus também libertaria o povo dele das mãos de Nabucodonosor! Até porque ele sabia que o amor de Deus continuava grande, e também sabia que as misericórdias dele continuavam inesgotáveis e se renovavam a cada manhã, e também sabia que grande era a fidelidade do Senhor!

Conclusão

Que possamos lamentar sim quando perdermos um ente querido, lamentar sim quando perdermos um emprego,  lamentar sim quando um amigo nos trair… Mas com a mesma intensidade que lamentarmos… Possamos levantar a cabeça na esperança que o Deus que um dia trabalhou em nosso favor no passado é o mesmo Deus imutável que em breve mudará nossa sorte no futuro!

Que não possamos ser do tipo de gente que toma algumas pancadas e se prostra esperando a morte, mas que sejamos pessoas que mediante algumas pancadas possamos através do Espírito Santo nos reconstruir para obras maiores que ainda virão em nome de Jesus!

No amor dEle!

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Sobre o Autor

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro

Rodrigo Soeiro nasceu em 03 de fevereiro de 1.985 em São Paulo. É esposo da Tatiane e pai do Davi e do Lorenzo. Além de cantor, músico, compositor, arranjador, ele também é pastor da Igreja Assembleia de Deus Alto do Ipiranga, conhecida como ADAI.

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